Município da Guarda

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Guarda lança Centro Internacional de Dramaturgia e conta já com sete países parceiros

Cultura Informações e Serviços
26/03/2021
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A cidade da Guarda vai ter um novo projeto na área das artes de palco. O Centro Internacional de Dramaturgia (CID) é anunciado pelo Município na véspera do dia Mundial do Teatro, na sexta, dia 26 de março, no Teatro Municipal da Guarda (TMG). Trata-se de um projeto criado pela Câmara Municipal, com direção de Marcos Barbosa, diretor da Escola do Largo, Lisboa.

Com intercâmbio cultural e artístico através de parcerias com centros congéneres dos Estados Unidos, México, Argentina, Noruega, Reino Unido, Espanha e França, o CID vai acolher escritores, encenadores, atores, tradutores, académicos, artistas e críticos, nacionais e internacionais, para que possam desenvolver projetos de criação conjunta, assumindo como principal missão a promoção de dramaturgias contemporâneas para produções. Neste ano de lançamento, até dezembro de 2021 - se a situação pandémica o permitir - está planeada uma programação com 12 espetáculos, 10 sessões de leitura, 5 conferências e 5 concertos.

A partir do TMG num momento em que Guarda é uma das candidatas a Capital Europeia da Cultura 2027, o CID assume-se como um projeto de dimensão internacional, com o objetivo de colocar a região da Guarda como novo centro artístico em relação permanente com o mundo, bem como alargar o diálogo cultural também a nível nacional e regional, contando os agentes culturais da região. Em particular com o envolvimento das estruturas artísticas locais, da área do teatro, mas não só, que se pretendem envolver no processo.

Na dimensão internacional, entre as parcerias já estabelecidas com centros internacionais congéneres, estão previstos espetáculos de autores como Chris Thorpe (Inglaterra), Deborah Pearson (Canadá), Tor Vagn Lid (Noruega), Ofelia Wang (China), Luis Mario Moncada (México), Lautaro Vilo (Argentina), Jacinto Lucas Pires, Jorge Andrade, entre outros. Estes autores apresentarão ainda conferências sobre o seu trabalho, nas quais também participará John Clinton Eisner (Estados Unidos da América).

De acordo com o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Carlos Chaves Monteiro, «o novo Centro Internacional de Dramaturgia que agora estamos a lançar, em mais um passo de afirmação cultural da nossa cidade e do nosso concelho, nasce também para afirmar claramente a importância da descentralização nacional, querendo provar que a Cultura pode e deve ser um motor do desenvolvimento regional». Mais: «Partimos para esta grande aposta com a certeza de que se trata de um projeto claramente vencedor e que, por isso, a seu tempo merecerá o apoio de mais entidades e do Governo de Portugal».

Segundo Marcos Barbosa, «este centro aparece da necessidade de uma ação continuada e persistente, que permita o desenvolvimento da escrita para Teatro em Portugal. Apesar das gloriosas exceções, que se contam pelos dedos de uma mão, o Teatro português não tem um historial rico na dramaturgia e os últimos anos, apesar de algumas medidas avulsas, não têm sido propícios ao aparecimento de textos relevantes de Teatro, em língua portuguesa. O CID irá trabalhar de mãos dadas com os agentes da cultura da Guarda e da região, no contexto de uma cidade aberta ao mundo, com uma multiplicidade de ofertas únicas nos mais diversos campos.»

O CID pretende ser um projeto artístico e formativo para a renovação da escrita para o palco, promovendo a experimentação e o crescimento de peças que representem a realidade. Será sede da pesquisa e do ensaio, para o acompanhamento do desenvolvimento das peças e da sua leitura pública, abrindo ao público as diversas fases de amadurecimento da obra teatral. É um palco para ensaios abertos, leituras mais ou menos encenadas, espetáculos, peças transmitidas em streaming, ou de leituras radiofónicas. Promete ainda ser uma casa aberta a muitos formatos, espaço para a edição das peças e para a sua tradução em diversas línguas, funcionando como ponto de partida da promoção dos autores nacionais na cena internacional.

A iniciativa nasce da ideia de que os teatros regionais, no caso concreto o TMG, devem ter uma força criativa que os aproxime dos teatros nacionais. Apesar de estarem situados no Interior devem assumir um protagonismo na criação nacional, em diálogo com os teatros nacionais e internacionais. Este centro tem como objetivos: o reforço da oferta artística e cultural regional; promoção da mobilidade de artistas e obras; promover o desenvolvimento regional e a coesão territorial, desenvolvimento de um projeto artístico multidisciplinar original e de qualidade; atração de novos públicos para o plano da conceção artística; promoção do desenvolvimento de parcerias estratégicas transnacionais; e ainda facilitar o acesso da comunidade local e regional à cultura e arte contemporânea. Trata-se de um projeto de dimensão internacional uma vez que pretende colocar a região da Guarda como novo centro artístico internacional em relação com o mundo, bem como alargar o diálogo cultural, estimulando a multiculturalidade. O projeto artístico procura a celebração da identidade de uma região rica em património e história, enquadrando-a num projeto que pretende colocar a Guarda na agenda internacional da criação dramatúrgica, trazendo a esta cidade obras e profissionais de geografias distintas, num processo de partilha contínua, de promoção do diálogo transcultural e da aceitação e valorização do interior e das suas populações.

O vereador da Cultura da câmara da Guarda, Vítor Amaral, adianta que, «além de um diálogo permanente com o contexto institucional educativo local e regional, e com municípios parceiros Guarda 2027, está já prevista uma articulação ibérica com a iniciativa Feira do Teatro de Castela e Leão, em Cidade Rodrigo, província de Salamanca, em agosto próximo».

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