Município da Guarda

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Teatro do Calafrio estreia “Bartleby” no Teatro Municipal da Guarda

15/12/2015
leitura do texto

De 17 a 19 de dezembro, de quinta a sábado, estreia no Teatro Municipal da Guarda “Bartleby” pelo Teatro do Calafrio. O espetáculo sobe ao palco do Pequeno Auditório sempre às 21h30. Partindo do texto de Herman Melville “Bartleby, o escrivão, uma história de Wall Street” e numa adaptação de Pedro Dias de Almeida com encenação de Américo Rodrigues, o espetáculo é interpretado por Valdemar Santos e Vasco Queirós, Daniel Rocha e Américo Rodrigues.

A seguir aos espetáculos realizam-se encontros com o público: no dia 17 com atores e encenador; no dia 18 com António Bento (professor na Universidade da Beira Interior); e no dia 19 com o adaptador do texto, Pedro Dias de Almeida.

«Não deixa de ser irónico que Bartleby, personagem criada por Herman Melville em 1853, tenha alimentado tantos textos e reflexões de grandes pensadores até aos dias de hoje. Este herói da inacção – ou, decididamente, um exemplo radical de anti-herói – que a tudo responde com a frase «preferia não o fazer» («I would prefer not to») sem nunca abandonar uma profunda indiferença e impassibilidade perante o que o rodeia foi intrigando e encantando geração após geração e chega aos labirintos do século XXI com perfeita actualidade, obrigando-nos a questionar as bases de uma modernidade que ainda hoje ilumina os nossos dias. A história de Bartleby é-nos contada pelo advogado sereno e «pouco ambicioso» que o contrata como escrivão no seu escritório na Wall Street, em Nova Iorque», explica no texto do programa do espetáculo Pedro Dias de Almeida que adaptou o texto de Melville para este “Bartleby” do Teatro do Calafrio.

'Herman Melville (1819-1891) nasceu e morreu em Nova Iorque. Os relatos das suas experiências como tripulante pelos mares do Sul, em títulos como Taipi, Omoo e White-Jacket, sobre o convívio com nativos das Ilhas Marquesas, renderam-lhe popularidade no início de carreira. Em 1851, publicou Moby Dick, seu sexto livro em apenas cinco anos. A partir daí, ainda que tenha escrito outros títulos, poemas e novelas curtas, viveu anos de obscuridade, chegando a trabalhar como inspetor de alfândega, de 1866 a 1885.

A sua última novela, Billy Budd só foi publicada postumamente. Já a história de Bartleby, o escrivão (Coleção Particular, Cosac Naify, 2005), publicada anonimamente em 1853, e como parte do volume Os Contos da Piazza, em 1856, não foi bem recebida pela crítica, ficando sem reedição até os anos 1920, quando os livros de Melville começaram a ser estudados, seus textos incluídos nas antologias escolares e sua obra revisitada. É de 1921 a primeira monografia americana sobre sua obra: H. Melville, marinheiro e místico, de Raymond Weaver.

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