Um monumento em bronze, barco à vela de três metros de altura sob as ondas do mar, concebido, projetado e realizado no Vietname em sinal de reconhecimento para com aquele sacerdote jesuíta que, ainda um jovem estudante de vinte e um anos, deixou a cidade natal há mais de quatrocentos anos para nunca mais aqui voltar. Missionário e linguista na Cochinchina de então, regressou agora aos ombros de vietnamitas em festa, como, para a tumba, o levaram em lágrimas quando ali morreu, num naufrágio, há quase quatro séculos. Foi a 15 de Dezembro de 1625. E o fruto do seu trabalho ali ficou, naquela Cochinchina de outrora, para outros continuarem e desenvolverem. O continuarem nos fundamentos de uma Igreja vietnamita e na linguística, como a história o vem mostrando.
E o reconhecimento lá está escrito, naquele simbólico monumento, em três línguas – português, inglês e vietnamita – tal como o célebre trilingue Dictionarium Annamiticum, Lusitanum et Latinum, publicado em Roma em 1651 e que tem raízes no trabalho pioneiro do jesuíta da Guarda. Assim se lê no monumento: «Esta estela, trazida de Quang Nam, Vietname, é símbolo do nosso reconhecimento para com o Padre Francisco de Pina (Guarda, 1586 – Hoi An, Vietname, 1625), inventor pioneiro do “Chû Quôc Ngû” (escrita vietnamita em alfabeto latino).»
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