Guarda recebe II Congresso Mundial de Turismo do Interior nos dias 18 e 19 de novembro

Guarda recebe II Congresso Mundial de Turismo do Interior nos dias 18 e 19 de novembro

A Guarda recebe nos dias 18 e 19 de novembro o II Congresso Mundial de Turismo do Interior, num debate sobre os desafios e o futuro dos destinos turísticos dos dois lados da fronteira, aproximando empresas, instituições e decisores, transformando a partilha de experiências em parcerias e projetos concretos para os territórios.

Os trabalhos vão reunir no Teatro Municipal da Guarda (TMG) mais de 45 oradores e participantes de 18 países. A relação entre Portugal e Espanha, a identidade dos lugares e a responsabilidade ambiental estão entre os temas em destaque, numa reflexão que colocará a Guarda no radar do turismo mundial.

Depois da estreia em Cáceres, em 2024, o Congresso chega à cidade mais alta de Portugal sob a mensagem “Interior é Destino”, com Castelo Branco como Cidade Convidada e a Diputación de Cáceres como Região Convidada. Organizado pela Associação Ibérica de Turismo do Interior – AITI, em parceria com o Município da Guarda, o encontro cruza a visão de responsáveis institucionais, investigadores e profissionais do setor com a experiência de quem vive nos territórios, para discutir o desenvolvimento do interior.

Para o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, trata-se de um evento muito importante para a estratégia de afirmação e valorização do território colocando a Guarda na centralidade ibérica e na montra do turismo mundial. O autarca considera que a iniciativa servirá também para fazer despertar os governantes regionais e nacionais para o potencial do território. Ao ser anfitriã da primeira vez que o Congresso se realiza em Portugal, a Guarda quer dar um exemplo ao país e à região. “Seremos sempre mais fortes quanto mais a força de proximidade”, sublinha. O autarca sustenta que há séculos que os povos da raia trabalham, convivem e cooperam entre si, criando uma dinâmica real de coesão territorial e de experiências diversificadas.

O autarca lembra que a Guarda está no epicentro de um território que ostenta várias marcas como a Serra da Estrela, as chancelas da UNESCO e que já se deu início à ambição de ver o Centro Histórico da Guarda reconhecido como Património Mundial. Somam-se outros patrimónios territoriais e de identidade como os Passadiços do Mondego, a Rota das Fortalezas Raianas, os castelos, a Rota Sefardita e a Judiaria da Guarda, os cruzeiros no rio Douro e o património das freguesias. 

Os trabalhos do Congresso vão decorrer em sete painéis e três conferências, com dois grandes temas: “Portugal e Espanha, comunidades e futuro dos territórios” (dia18) e “Da experiência de viajar à responsabilidade ambiental” (dia 19). 

Na abertura dos trabalhos irá discutir-se o “Turismo Ibérico: concorrência ou complemento?” com Carlos Abade, presidente do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal; Raúl Castro Cano, da Turespaña; Luís Pedro Martins, do Turismo do Porto e Norte de Portugal, e Xosé Manuel Merelles, da Axencia Turismo de Galicia. Ainda durante a manhã, a conferência de Bayan El Faouri, da Universidade Hashemita, na Jordânia, explorará a partir de Petra a ligação entre património e comunidades. Haverá ainda espaço ao olhar de quem vive no interior e ao que pensa sobre o turismo. 

À tarde, o desafio de recuperar destinos após incêndios e catástrofes juntará Rui Ventura e André Gomes, presidentes das entidades regionais de turismo do Centro de Portugal e do Algarve, respetivamente. O futuro dos territórios será abordado também através dos modelos de desenvolvimento e coesão territorial, com Luís Loures, presidente do Politécnico de Portalegre. A cultura, a identidade e o poder das narrativas locais completarão este debate, com representantes dos Chocalheiros de Bemposta e das Carantonãs de Acehúche, em Espanha. O primeiro dia do Congresso termina com uma sessão que contará com a participação de Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços.

As emoções de quem viaja e de quem recebe abrem o segundo dia do Congresso, 19 de novembro, com o guionista norte-americano Todd Farmer entre os participantes. A manhã inclui ainda uma conferência de José Luis Coca Pérez, da Universidad de Extremadura, dedicada ao potencial da atividade cinegética como motor do turismo de interior. 

Já o painel “E se o Turismo parasse? Viagem a um futuro sem turistas” convida a pensar no que mudaria na vida das comunidades sem a chegada de visitantes. A reflexão sobre o futuro dos destinos estende-se ao turismo insular e à responsabilidade ambiental, com contributos de Cabo Verde e dos Açores sobre a fragilidade destes territórios e a sua preservação.

A sessão de encerramento do Congresso está marcada para as 16h30 e contará com Carlos Abade, presidente do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal, e Raúl Castro Cano, conselheiro de Turismo da Embaixada de Espanha em Portugal.

A AITI tem como principal âmbito de ação o território ibérico e como seu objetivo geral o apoio ao desenvolvimento e prosperidade dos seus associados, criando redes que envolvam todos os agentes interessados no desenvolvimento do turismo, visando o desenvolvimento económico dos territórios e o aumento do número de turistas em todos os polos, apoiando agentes turísticos e outros que dependam indiretamente dele, através da formação e inovação, planeamento e gestão de destinos, sempre com vista à sustentabilidade.